A mim a criança ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me para todas as coisas que há nas flores.
Mostra·me como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem na mão
e olha devagar para elas.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
são as cócegas que ela me faz
brincando nas orelhas.
Ela dorme dentro da minha alma
e às vezes acorda de noite
e brinca com os meus sonhos.

Vira uns de pernas para o ar.
Põe uns em cima dos outros
e bate as palmas, sozinho
sorrindo para o meu sono...

A Criança Nova que habita onde vivo
dá-me uma mão a mim
e a outra a tudo que existe
e assim vamos os três pelo caminho que houver,
saltando e cantando e rindo
e gozando o nosso segredo comum
que é o de saber por toda a parte
que não há mistério no mundo
e que tudo vale a pena.
 

 (Alberto Caeiro)

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